Andei conversando com Ruan sobre a nossa mudança há mais de um ano para um lugar onde a gente não conhecia e não sabia, se quer, o que esperar. Encontramos outra vida.
Morar longe de quem você ama não é tarefa fácil. E pode ser que seja pouco recompensador. Procurar alguém pra te dar um abraço e não encontrar é a hora que mais me dói aqui.
O tempo vai passando e nós percebemos as amizades antigas parando, melhor, retrocedendo, ainda que algumas ainda continuam, mas isso também é questão de tempo. A intolerância vai aumentando. Os olhares vão ficando cada vez mais tortos. Não estamos mais dispostos a relevar e entender atitudes e situações. Os antigos pequenos defeitos, agora se tornam enormes! Para os mais sensíveis, que percebem com mais clareza o que está de fato acontecendo, é mais que uma tortura assistir a isso tudo e nada poder fazer. Nada? Mesmo assim, ele tenta. E se frustra.
Se frustra também quando você aposta suas fichas num amor que só é vivido da sua parte. Não que o outro não ame, mas é que muitos não se permitem amar. E ser amados. Amar de corpo e alma.
Assim como não se está disposto a cultivar as velhas amizades, muitos também não estão dispostos a amar.
Eu? Eu não amo porque, nem amo se, nem quando. Eu simplesmente amo. Mas queria fazer e ser feliz. Há os que não se permitem.
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