
O ano que passou pode não ter sido o mais generoso, mas me trouxe muita coisa boa que eu não quero nem pensar em perder. Amadureci um pouco mais, principalmente com a dor que certas coisas me causaram ou com o ressentimento de não ter acertado o que era preciso acertar. Antes de voltar para casa, tive uma conversa que me fez perceber com mais clareza o que havia se passado comigo e as coisas que eu andava sentindo e pensando. Mudei, mas não para melhor, e como é péssimo saber isso agora...
Essa vida é curta e eu sempre achei necessário dizer aquilo que a gente sente ou pensa ("Nesse mundo estamos só de passagem"), por isso não tinha medo de falar, independente das consequências. Hoje, sei que não é bem assim que as coisas funcionam e que qualquer coisa em excesso é ruim. Deve-se falar menos do que se ouve, afinal escutar bem é quase responder. Porém não devemos negligenciar o que deve ser dito, assim como não devemos deixar de olhar o que deve ser visto. Quantas coisas deixamos de viver por deixar de olhar? Ou por olhar e não ver? Sei que me perdi do meu caminho, mas ao escrever aqui posso me encontrar um pouco mais. É que quando eu escrevo, converso comigo.
Quantas vezes vivemos uma coisa em nome de um passado que só existe nas nossas lembranças? "Eu estou lá porque eu tive um passado". Nos encontramos em situações que não nos faz felizes, mas que ainda assim estamos lá, seja por uma espécie de obrigação em nome de tudo o que foi vivido ou por deslize e inconsequência. Nem sempre é conveniente virar a página, às vezes é preciso rasgá-la.
As mudanças vão acontecer. Viver é mudar, eu só espero mudar para melhor.
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